domingo, 6 de julho de 2008

Tratado sobre a Mortalidade do Amor

"...Todos os dias um amor é assassinado.
Com a adaga do tédio, a cicuta da indiferença,
a força do sarcasmo, a metralhadora da traição.
A sacola de presentes devolvidos, os ponteiros
tiquetaqueando no relógio, o silêncio ensurdecedor
depois de uma discussão: todo crime deixa evidências. "


"...Existem ,por fim,os amores-fênix. Aqueles que,apesar da luta
diária pela sobrevivência, das contas a pagar, da paixão que escasseia
com o decorrer dos anos,da TV ligada na mesa ao final do domingo,
das calcinhas penduradas no chuveiro e das brigas que não levam a nada,
ressuscitam das cinzas a cada fim de dia e perduram - teimosos, e belos ,
e cegos e intensos.

Mas estes são raríssimos , e há quem duvide de sua existência.
Alguns os chamam de amores-unicórnio, porque são de uma beleza
tão pura e rara que jamais poderiam ter existido, a não ser como lendas.
Mas não quero acreditar nisso " .

( Do texto de Alexandre Inagaki : Pequeno Tratado sobre a mortalidade do amor )


Lindo né? Para se pensar e fazer algo a respeito quando estamos prestes a cometer um desses
"crimes" contra o próprio coração...


----

Nenhum comentário: